Círculo Eça de Queiroz

Agremiação de carácter intelectual e social


O Círculo Eça de Queiroz é uma agremiação de carácter intelectual e social, fundada em 1940, por iniciativa de António Ferro, (o nome do patrono foi sugerido por António Lopes Ribeiro), com o objectivo de fomentar o bom convívio entre os seus sócios e convidados e também o gosto pelas letras e as artes, por meio de conferências, exposições e concertos.

Desde a sua fundação, e através de muitas dificuldades, o Círculo tem procurado contribuir para a elevação do nível intelectual e social da vida portuguesa.

Grandes figuras da cultura portuguesa e estrangeira, têm passado pelo Círculo, como convidados ou conferencistas. O seu primeiro sócio de honra foi Maurice Maeterlink, Prémio Nobel da Literatura. Aqui estiveram também T.S. Eliot, igualmente Prémio Nobel da Literatura, Graham Greene e Gabriel Marcel. Em 1942, Gregório Marañon proferiu neste clube uma conferência, impressa mais tarde. Dos escritores brasileiros, lembramos, entre outros, Gustavo Barroso, Plínio Salgado, Luís Viana Filho, Herberto Sales, Josué Montello, e António Carlos Villaça. Estes três últimos escritores registaram, em livros memorialisticos, a sua passagem pelo Círculo. Ortega y Gasset e Eugénio Montes deram também o seu contributo para o prestígio cultural do Círculo.

Em Janeiro de 1946, o Círculo promoveu um ciclo de conferências para assinalar o centenário queirosiano.

Na década de 80, a Direcção empenhou-se em reintegrar o Círculo Eça de Queiroz no espírito do fundador, pela animação cultural dos “Serões Queirosianos”, e, das mais de 50 conferências proferidas nessa época, destaca-se o ciclo dedicado aos “Vencidos da Vida”, recolhidas em livro, em 1989.

Em 1994, contámos com a presença, como conferencistas, do Prof. Fraga Iribarne, Presidente do Governo da Galiza, e do Presidente da Academia Brasileira de Filosofia, Prof. Miguel Reale.

Na década de 90, outra iniciativa de animação cultural é a de “chás semanais”, seguidos de debates sobre as matérias mais diversas.

Durante algum tempo, também, o Círculo Eça de Queiroz contou com a colaboração da Orquestra Metropolitana de Lisboa, que aqui realizou um recital mensal.

Esta Associação, ao longo da sua existência de mais de 70 anos, tem mantido intercâmbios com as mais diversas entidades públicas e privadas, nomeadamente:
- Sociedade Histórica da Independência de Portugal
- Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
- Academia de História
- Academia das Ciências
- Academia Brasileira de Filosofia
- Grémio Literário
- Centro Nacional de Cultura
- Grupo dos Amigos de Lisboa
- Fundação Eça de Queiroz
- IADE
- Embaixadas de Espanha, Brasil, Israel e Ministério dos Negócios Estrangeiros
- Comissão Nacional para o Centenário de Eça de Queiroz.

Vários Clubes congéneres da Europa e do Brasil têm com o Círculo Eça de Queiroz relações preferenciais, nomeadamente no intercâmbio de serviços prestados aos respectivos sócios. Referimos, entre outros, “Le Cercle de l’Union Interalliée” (Paris); o “Savile Club”, o “National Liberal Club, o “City University Club” e o “Eccentric Club” (Londres); o “Societá del Giardino” (Milão); o Real Gran Peña (Madrid); o “Sociedad Bilbaina” (Navarra); o “Cercle de Lorraine” (Bruxelas); o “Grêmio Luso-Brasileiro” (São Paulo) e o Royal Canadian Military Institute, Toronto – Canada.

O Círculo Eça de Queiroz vive das quotizações dos sócios e das receitas provenientes de algumas actividades desenvolvidas. Recebeu apoios financeiros ocasionais da Fundação Gulbenkian e da Secretaria de Estado da Cultura.

Esta Associação propõe-se continuar a orientação e finalidades que até aqui o têm orientado, através de conferências, concertos e exposições, obedecendo à temática programada anualmente.

Círculo Eça de Queiroz tem um número de associados na Categoria A restrito a 202. Este foi o número de uma mansão imaginária nos Campos Elísios, onde uma das personagens ficcionais do escritor português Eça de Queiroz, Jacinto, viveu no século XIX, em Paris. Ao longo do tempo, o clube decidiu admitir um pequeno número de membros acima de 202, que gozam de todos os direitos sociais, excepto do voto. Esses associados, supranumerários, aguardam vaga na Categoria A.

Pelo clima cultural que vamos criando na zona histórica do Chiado e pelo património artístico existente na sede do Círculo, é bem justificado o estatuto de Utilidade Pública que lhe foi conferido em 2005.

 Círculo Eça de Queiroz